Vídeo - How high the moon (Takasago High School Jazz Band)
Puxa vida, como passei tanto tempo de vida sem ter visto isso? Uma big band de meninas orientais. Magnífico. Até coreografia tem. Reparem nos solos de trombone das meninas.
P.s.: Ah, como eu queria ter estudado em uma escola com uma abordagem tão musical quanto essa. E com direito a conhecer as orientais também! :-)
Cinema - Uma Garota Dividida em Dois, de Claude Chabrol (La Fille Coupée en Deux)
Na minha modesta opinião, Claude Cabrol deveria figurar em qualquer lista dos melhores cineastas do mundo de todos os tempos. Nem tanto por sua excelência ao produzir seus filmes, mas sim pela regularidade (Cabrol consegue manter uma saudável média de um filme por ano, nos últimos anos, a exemplo de Woody Allen e outros mestres do cinema) e pela precisão constante dos temas retratados: a burguesia e sua decadência.
O conceito de "A burguesia e sua decadência", conforme vai acima, poderia render teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado e afins, mas a mim pouco interessa me alongar especificamente sobre esse tema, por duas razões distintas: A primeira é que discordo do ponto de vista comum compartilhado pela maioria dos críticos de cinema, que vêem toda a história, invariavelmente, de fora, portanto, possuem uma visão estereotipada do que seja burguesia e seus rumos. A segunda, e definitiva, é que me interessa muito mais a história do filme e seus desdobramentos, do que qualquer rixa marota que os críticos (de esquerda, normalmente, que não se enxergam na tela e nos filmes de Cabrol) gostam de levantar quando comentam sobre "esse" ou "aquele" filme.
A história de "Uma Garota Dividida em Dois" é comum e poderia ser contada por qualquer outro cineasta. Nesse caso, especificamente, pesa a mão do cineasta. Chabrol possui uma característica avassaladora de produzir filmes simples, diretos e objetivos que nos fazam refletir algo do gênero: "Por que ninguém teve essa mesma idéia antes?". Pois sim, "Uma Garota" é mais do mesmo. Se comparado à sua película anterior, "A Comédia do Poder", com sua atriz-fetiche, Isabelle Huppert, "Uma Garota" pode até passar despercebido. No entanto, é perceptível que Chabrol se diverte nas linhas do roteiro e na direção bastante precisa.
A história gira em torno de 3 personagens: Gabrielle (Ludivine Sagnier), é uma apresentadora de televisão, completamente banal e fútil (eu sei, a definição parece redundante). Charles Saint-Denis (François Berléand) é um escritor famoso, apesar de escrever livros complexos que poucos lêem e todos comentam (algo parecido com o que acontece com Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre, que todos adoram citar, mas poucos abriram alguma de suas obras). Por fim, há Paul Gaudens (Benoît Magimel, que, inexplicavelmente, atua de maneira absolutamente afetada, beirando a bichice mais safada e cafona), um playboy inveterado que vive dos rendimentos proporcionados por sua herança.
Em poucas linhas, pode-se dizer que o mundo gira ao redor do umbigo dos personagens citados. Gabrielle, a fútil apresentadora de telejornal (na realidade ela é a moça do tempo, como se diz por aqui) se apaixona por Charles Saint-Denis, o escritor intelectual. Charles é afeito apenas do jogo da sedução e da vagabundagem. Casado, sem filhos, com uma mansão monumental nos arredores de Paris, Charles se envolve (apenas sexo, claro) com Gabrielle. Usa, abusa e depois a abandona na conhecida rua da amargura. Enquanto isso, o afetado playboy Paul Gaudens investe todas as suas fichas em Gabrielle, mas, obviamente, em vão. Paul possui uma obsessão quase homossexual por Charles Saint-Denis, o que pode ser explicado por alguns conceitos freudianos (Complexo de Édipo) e pelo fato de ter crescido sem a presença do pai.
O cinema francês possui a capacidade de surpreender, mesmo quando nada acontece durante 80% do filme. São películas puramente faladas, calcadas na verborragia, o que muito me agrada. O roteiro dá, vá lá, suas piruetas, e Charles abandona Gabrielle, que se casa com Paul Gaudens (pensando em Charles, é verdade), que não suporta seu ciúme e aniquila, friamente, Charles Saint-Denis. Daí pra frente tudo segue sua normalidade no reino francês e todos viveram infelizes para sempre, como de costume.
Não se trata de um Chabrol brilhante, mas, mesmo assim, ainda é Chabrol.
Depois de alguns cd's absolutamente frustrantes e equivocados, Ed Motta está de volta, e, pelo que pude perceber, renovado. As canções do novo álbum, Chapter 9, denotam o vasto conhecimento musical de Ed. Apesar de não ser, digamos, linear, Chapter 9 se destaca, e muito, pela beleza e delicadeza da diversidade.
Tenho o saudável hábito de desconfiar completamente de todas as unanimidades pelo mundo afora. Costumo me posicionar do lado oposto, para estudar melhor o que se diz e o que se comenta de ambos os lados. Quando Obama era um simples candidato à vaga do partido democrata, li muito a seu respeito, muito sobre seus feitos, seus projetos e, considerando as opções, à época, considerava como a melhor opção para enfrentar o partido republicano.
Passado algum tempo, a notoriedade de Obama começou a ganhar o mundo e, ao meu modo, passei a desconfiar de toda sua perfeição. Não é possível, honestamente, conceber que pelo mundo afora, exista uma personalidade tão unânime como Obama. De crianças a idosos, de "formadores de opinião" aos apolitizados. De asiáticos a europeus, passando por latinos e africanos, todos embalados pela Obamamania. Não há um questionamento sequer. Todos os jornalistas, estes também, querendo empurrar, guela abaixo do planeta, o vistoso e elegante Barack Obama. Até Caetano se rasga em elogios ao "mulato nato"...
Tento, muitas vezes em vão, procurar textos jornalísticos que contraponham as opiniões e atos de Obama. Já foi possível detectar que Obama se contradiz o tempo inteiro em questões que exigem uma postura e opiniões mais rígidas, como é o caso do Petróleo. Obama já mudou de opinião por 3 vezes em pouco mais de 6 meses, pendendo sempre para o lado do que pensa seu eleitorado. Podemos chamar Obama de candidato 2.0., que se adapta às vontades dos usuários. Será que isso é positivo para os Estados Unidos e, olhando um pouco além, para o mundo?
Será que Obama está preparado? Será que Obama é tudo o que dizem? Que pensamentos esconde seu sorriso cínico? O que passa, de fato, na cabeça de Barack Obama? Será que, dessa vez, contrariando a célebre frase de Nelson Rodrigues, a unanimidade não será burra?
É só lembrar casos recentes, que tiveram pleno apoio popular para legitimar suas ações: Getúlio Vargas, Hitler, Lênin, Fidel. Será que é válido embarcar com o planeta inteiro nessa canoa Obamaniana?
"Neste disco, quanto mais buscava a perfeição, a voz e (principalmente) o violão sibilavam, rosnavam: as cordas ruidavam entre o metal, o nylon e a madeira.
Me lembrei de Baden Powell e Nelson Cavaquinho que não tinham pudor do ruído.
Achei que a perfeição só existe quando você tenta aperfeiçoar o imperfeito...em vão.
Deixei como está: humano."
Um dos cd's mais belos que escutei nos últimos tempos. Resenharei oportunamente.
Amigos, amigas, ouvintes, leitores, leitoras. Sim, sei que estou em débito profundo com todos vocês. Ultimamente, para minha total alegria, tenho estado completamente imerso em um novo objetivo, em uma novíssima busca. Há momentos na vida de uma pessoa que ela precisa, necessariamente, deixar de lado todas as distrações e direcionar suas energias para um objetivo maior.
Em breve, terei muitas novidades para contar e esse período de turbulência será apenas uma mera recordação dos dias de fogo que tenho vivido. Por enquanto, não posso adiantar muita coisa, mas posso assegurar que é algo que me fará crescer profissionalmente. Esperemos.
Em recente entrevista que li sobre um assunto completamente dispensável, o brilhante cineasta David Mamet cita que o homem (ser humano, no caso) precisa sempre estar atento a tudo e não pode, em hipótese alguma, se distrair pelo caminho. Segundo Mamet, o homem distraído se torna um "perdedor, logo de saída". Sua idéia, creio eu, baseia-se no conceito de que é preciso focar, focar, focar sempre. Se você está de passagem, caminhando sem rumo, está perdido. E ele está completamente correto em sua observação. É preciso, no entanto, muita disciplina para estabelecer um objetivo e persegui-lo de maneira eficaz.
Nossa, estou me sentindo um daqueles autores medíocres de livros de auto-ajuda.
Voltando ao que interessa: estou produzindo o roteiro da próxima edição do Bufunfa Podcast, dessa vez a 4ª edição, tratando sobre como Comprar e Vender ações. Muito provavelmente estará no ar, na próxima semana.
Jornalismo - Cartão de Crédito, ou "Tá rindo do quê?"
Adoro adotar um tom crítico para tudo que falo, escrevo ou gesticulo. É da minha natureza e não consigo fazer absolutamente nada para melhorar (corrigir, piorar, ou seja lá o que for). Em alguns casos, posso até admitir que muito do que falo é desnecessário. Minha forma de passar a mensagem é essa. Fazer o quê?
No caso, tenho pensado seriamente sobre o setor de cartões de crédito, e em como as coisas funcionam. Chega na minha casa, dia sim, dia não, correspondências da American Express. Até entendo, pois devo estar com meu nome em uma base de dados bastante camarada (que hoje, qualquer um compra na esquina, nas mãos de um camelô amigo), mas, provavelmente meus dados estão completamente desatualizados. Explico: recebo propostas de um cartão visivelmente ridículo, se não me engano, "American Express Gold", sem o mínimo foco neste que vos escreve. Deixei de pertencer à categoria do cartão oferecido há uns bons 8 anos (nos meus tempos de estagiário) e, mesmo assim, recebo as propostas "indecentes" no conforto do meu lar.
É preciso uma visão de negócios pouquíssimo apurada (até um macaco treinado conseguiria compreender a equação) para entender que, dessa forma, dificilmente será fechado um acordo entre as partes. Primeiro ponto, pois não utilizo cartões de crédito. Segundo, pois recebo propostas que não me entregam vantagem alguma. Deve funcionar, penso eu, caso contrário não torrariam Amazônias inteiras para enviar cartas sem o mínimo sentido.
Já para minha querida mãe, cujo salário de aposentada não paga nem o plano de saúde, chegam propostas de um cartão "American Express Platinum", que entregam todos os benefícios e vantagens. Mais um caso em que a base de dados está completamente equivocada. Talvez o "camelô amigo" tenha vendido à Amex um pacote de dados de 1980. Ou algo assim.
Mesmo desgostando dos referidos cartões de crédito, tenho um, de estimação, simplesmente porque é do Banco em que trabalho e porque, caso algum dia meu cartão de débito bata asas e voe, tenho um backup. Se me perguntarem qual a vantagem do meu cartão de crédito, não saberei dizer. Não mesmo. Acho o cartão, na melhor das hipóteses, uma merda.
Dia desses, entrei no programa de milhagem para saber se poderia adquirir algum produto minimamente decente, em troca dos meus suados pontos. 1.000 pontos, para ser bem preciso. Fui procurar produtos apenas para fazer "troça", a bem da verdade.
Não fiquei nada surpreso ao ver que o produto mais chinfrim oferecido era o cd da Maria Rita. Alguns dirão: "Ora, é um bom produto!". Claro, eu concordo, em gênero, número e grau, pois gosto de Maria Rita, mas o inimaginável foi ver que o cd oferecido é o primeiro de sua carreira, que data 2002. Nonsense, é verdade.
Quanto preciso para adquirir esse cd?
Exatos 3.200 pontos. Pelos meus cálculos, preciso gastar, por baixo, uns R$ 5.100,00.
No referido programa de milhagem, fico extasiado ao ver o CD do Titãs, ao vivo MTV, marcado como lançamento! Há quantos anos ninguém se preocupa com os produtos oferecidos naquele site? Vergonha alheia, é o mínimo que posso sentir. Outro lançamento, o DVD "Guerra dos Mundos". Mais abaixo, vejo um novíssimo cartão de memória SD, com inacreditáveis 512 mb! Não pára por aqui, seguem abaixo mais alguns lançamentos alardeados no site:
DVD SMALLVILLE 1ª TEMPORADA (6 DVDS) - WARNER
BOX CHICO BUARQUE (3 DVDS)
MP3 Player - 256 MB e Rádio FM - MW111 - Azul - DL Eletrônicos
DVD Live 8 (4 DVDs)
CD Player Portátil - CDP 6150BL c/ Rádio FM - Semp Toshiba
iPod Nano 1GB White - Apple
Eu sei, não tem graça alguma. Vou tirar o nariz de palhaço e daqui a pouco eu volto com mais.
De tão impressionado que fiquei com a trilha sonora de Era uma vez, filme recente de Breno Silveira, fui atrás da canção "Minha Rainha" (de Manacéa, da Portela) interpretada magistralmente por Luiz Melodia.
Como diria o personagem mirim de Woody Allen em Annie Hall, se bem me lembro, "The world is expanding". Pelo menos pra mim, é o que acontece. Conheci esse som muito por acaso e agora não consigo parar de escutar. Quando não estou ouvindo Eric Dolphy, volto para Chet Baker. Quando não fico em nenhum dos dois, por qualquer motivo que seja, parto para Bernard Pretty ou Skull Snaps. Momentos de reflexão total. Agora, pra se afundar em pensamentos, nada melhor que o tubista (isso mesmo, senhoras e senhores, um rapaz que toca a temida tuba) Ray Draper e seu quinteto.
Just thinking.
Essa semana, tive o desgosto de ouvir o aclamado cd (crítica e público, isso não pode estar certo) de Esperanza Spalding. A foto de capa é sensacional e o encarte possui uma arte primorosa. A moça tem muito estilo, isso eu devo admitir. Escolheu muitíssimo bem seus companheiros de banda, mas, infelizmente, suas intenções ao beber na fonte da música brasileira foram em vão. A moça deve ter engasgado com a nossa água límpida e pura. Corram o quanto puderem desse disco. Eu tentei resenhar, mas foi impossível.
Não arrisquem, comprem um disco qualquer das minhas divas absolutas: Ná Ozzetti, Mônica Salmaso ou Maria Bethania. Com elas, não tem erro e nem engano.
Que me perdoem os puristas, mas o sentimento despertado por essa belíssima película de Breno Silveira é, no mínimo, fascínio. Como ser humano, falível, fatigado, cansado e todos os etceteras possíveis e imagináveis, precisava assistir a uma história como a de Era uma vez, numa noite fria de sexta-feira.
Era uma vez trata basicamente sobre a construção de um amor adolescente impossível, entre o jovem morador do Morro do Cantagalo e a patricinha vitaminada da escaldante Ipanema. Mais simples do que isso, meus caros, é impossível. Breno conseguiu tratar do tema com certa dsesenvoltura (com a preciosa ajuda do mestre de todos os mestres do cinema nacional: Domingos Oliveira), mas, mesmo assim, não conseguiu escapar de todos os clichês possíveis que envolvem as diferenças da vida entre o morro e a cidade.
A história se passa no calçadão de Ipanema, onde Dé (interpretado pelo sensacional Thiago Rodrigues) passa os dias na labuta, vendendo cachorro-quente e observando apaixonadamente Nina (interpretada pela doce Vitória Frate).
Daqui para frente, o filme toma contornos óbvios de Romeu e Julieta, do amor idealizado, do amor sofrido, do amor impossível, das diferenças sociais, das famílias, do sofrimento adolescente, com toda a carga dramática e barroca que só o sangue juvenil consegue produzir em larga escala.
O filme acerta em todos os momentos em que se mostra leve, amoroso, carinhoso com o público e com os personagens, mas peca em inúmeros pontos quando tenta embutir sua crítica panfletária à elite e quando coloca os pobres do filme como miseráveis e produtos do, digamos, "meio em que vivem". Trata-se daquela velha tática usada pela esquerda para justificar as maiores atrocidades e retrocessos da história política e social pelo mundo afora.
Seria tolo e infantil pensar que todo adolescente de classe alta e média é maconheiro e alienado, bem como é ingênuo classificar todo pobre do morro como bandido, assassino ou vagabundo. Acredito que a regra geral seja a de que a maioria esmagadora, de ambas as classes, seja formada por pessoas de bem. Adaptando marotamente a célebre frase de Nelson Rodrigues, "todo maniqueísmo é burro".
O filme me lembrou muito a obra-prima máxima de Jorge Furtado, Houve uma vez dois verões.
Independente de qualquer comentário negativo que eu tenha desferido nas linhas acima, Era uma vez é um filme belíssimo da turma de Breno Silveira (de Dois filhos de Francisco), que merece ser assistido e degustado no que tem de melhor: um amor impossível.
P.s.: Atentem para a sensível atuação de Rocco Pitanga.
Dando sequência à programação musical mais famosa entre meus amigos e familiares, a Quizumba Gramofone, segue abaixo uma das mais belas canções já feitas em todos os tempos: Let's get lost, do mestre Chet Baker. Have fun my friends...
Pasquim em gotas - Entrevista com Leila Diniz, novembro de 1969
A partir de hoje, esporadicamente, colocarei algumas entrevistas e colunas que ficaram famosas no Jornal Pasquim, durante os anos 60 e 70. Espero que curtam. Ao clicar no teaser, criado por mim, vocês serão remetidos a um arquivo zipado com a entrevista em formato gif (de imagem). Aproveitem a ótima entrevista da desbocada, e ótima atriz, Leila Diniz.
Queridos amigos e ouvintes, é com enorme prazer que disponibilizo hoje, para download, a terceira edição do Bufunfa Podcast. Os temas dessa terceira edição são: A escolha das Ações e Dicas Importantes sobre o Mercado.
Abaixo, o belíssimo cartaz. Clicando nele, você faz download do Bufunfa Podcast nº 3. Espero que você, caro ouvinte, goste e aproveite todas as informações!
Em caso de dúvidas, sugestões, críticas e afins, já sabem, né? É só mandar um e-mail camarada para ricardo@poloweb.com.br.
Videocast - Cafuas, Guetos e Santuários, primeira edição, com Banda Black Rio
Alô, alô, queridos leitores, ouvintes e, agora, para surpresa geral, espectadores do Quilombo Blog. É com imenso prazer que vos apresento a novidade prometida há alguns dias: o Videocast Cafuas, Guetos e Santuários.
Eventualmente cobrirei alguns shows na cidade de São Paulo e, conforme for, se conseguir credencial, criarei algumas edições do referido Videocast. Nessa primeiríssima edição, temos o grande prazer de apresentar um trecho do show da Banda Black Rio (desferindo, implacavelmente, Mr. Funky Samba), que ocorreu no dia 03/07, no Sesc Avenida Paulista. Espero que curtam! E é aquela velha história: dúvidas, sugestões ou reclamações, é só me enviar um e-mail camarada.
Como perceberão, a qualidade do vídeo é boa e a do som é sensacional, pois, na edição, priorizei o lado da música, do som, e não da imagem, apesar de contrariar o conceito de Videocast. O intuito, amigos, honestamente, é que o peso do vídeo seja relativamente pequeno, evitando transtornos no momento de envio do vídeo ao bom e velho Youtube. Dessa forma, fica mais fácil para vocês assistirem sem os famosos "engasgos" no meio do vídeo.
Para começar em grande estilo, inicio esse projeto, Quizumba Gramofone, com Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, dividindo os vocais em They can't take that away from me. É só clicar no play abaixo para começar a curtir!
Em véspera de feriado estadual, ninguém, absolutamente ninguém, merece trabalhar ou ter qualquer tipo de esforço. Qualquer que seja. Levando essa máxima em conta, e meu cansaço mental, parto, sem remorso algum, dentro de poucos instantes, para a praia mais próxima, porém, gostaria de enumerar, abaixo, algumas novidades que surgirão no Quilombo nos próximos dias e semanas.
Bufunfa Podcast número 3 - Quinta-feira, dia 10 de julho, entra no ar, para o deleite dos queridos e ávidos ouvintes, a terceira versão do Bufunfa Podcast. Com roteiro já finalizado e revisado, bastando apenas gravar e colocar no ar, tratarei sobre a melhor forma de escolher suas ações e, também, trarei uma seção de dicas indispensáveis para quem está começando a operar no mercado acionário.
Quizumba Gramofone - É um pequeno projeto musical que não terá data para iniciar, e contará com inserções semanais, ou até mesmo de três em três dias. Dependendo da minha paciência, pode até ser que a periodicidade seja menor. Serão jazzes, blues, dixielands, canções brasileiras, africanas, jamaicanas, entre outras. Os melhores sons pelo mundo afora, de hoje, ontem e amanhã, tudo reunido no projeto.
Videocast Cafuas, Guetos e Santuários - Estréia, nessa quinta-feira, dia 10 de julho, a primeira edição do Videocast que nasceu com esse nome enorme e enigmático, inspirado na belíssima canção de Tom Zé: Cafuas, Guetos e Santuários. A idéia é colocar trechos de shows que porventura eu venha cobrir na cidade de São Paulo. A primeira edição será inteira dedicada à Banda Black Rio, com vários trechos de seu último grande show na cidade de São Paulo, dia 03/07, última quinta-feira, no Sesc Avenida Paulista.
Gestão de Negócios - Starbucks, a doce ilusão do café amargo
Na manhã do dia dois de julho recebi, em meu correio, por meio do noticiário do Blue Bus, uma notícia que eu já previa há algum tempo: "Starbucks anuncia que vai fechar mais 500 lojas e demitir 12.000 funcionários".
Não, amigos, não sou a favor do terror e de demissões em massa dentro das empresas, mas, desde que se iniciou o processo de enaltecimento explícito às práticas da Starbucks, comecei a desconfiar. Na onda do momento, e como não havia nenhuma filial do famoso Café Starbucks em Terra Brasilis, comprei o livro "Estratégia Starbucks". A bem da verdade, não me surpreendi com absolutamente nada que li nas páginas insossas do livro.
Passados alguns meses (poucos, creio eu), surgiram no Brasil algumas filiais. A primeira delas, por coincidência, se localiza (por enquanto!) no Shopping Center 3, na Avenida Paulista, ao lado do local em que trabalho. Passado aquele burburinho inicial do lançamento, em que todos levam a família, namorada, periquito, papagaio e cachorro, decidi fazer a minha visita à referida filial, para saber se era, como todos diziam, uma das 7 maravilhas do mundo moderno.
Sendo frequentador contumaz de cafés paulistanos como Santo Grão e Suplicy, tinha uma base teórica e prática sobre as delícias gustativas que podem ser proporcionadas por grãos bem selecionados.
Qual não foi minha surpresa, cheguei à filial e tive que enfrentar uma fila, ao melhor estilo McDonald's (local que frequentei raríssimas vezes em minha vida). Pensei que aquilo fosse algum tipo de piada de mau gosto, mas não me preocupei, obstinado que estava em provar o tal café. Depois que a fila andou muito rápido (o que chegou a me surpreender, confesso), veio aquele que seria um dos meus pontos de maior crítica à rede: um "bom dia" artificial e canalha, que trazia consigo um sorriso amarelado e falso, ao melhor estilo Blockbuster e McDonald's.
Sabe aquele tipo de "bom dia" que você nem se esforça pra responder, visto que parece algo forçado e obrigatório a todos os funcionários da empresa?
Respondi o "bom dia" com um sorriso de canto de lábio, ao melhor estilo Bogartiano e perguntei o que tinha de bom para me oferecer. De cara, ela passou a explicar, tal qual uma funcionária aplicada de telemarketing, todos os cafés do Starbucks. Pra ela, vírgulas e concordâncias eram desnecessárias. Pelo menos não tive que ouvir "vamos estar fazendo o seu café".
Pedi um café qualquer, COM LEITE. Fiquei, conforme pedido pela referida funcionária, após ter pago o café, "ali do ladinho, esperando". Passados alguns segundos, meu café estava em mãos. Um copo de, como direi?, 500 ml. Agora, imaginem um ser humano normal tentando tomar 500 ml de café, de uma vez só?
Devo ter tomado, no máximo, 50 ml do imenso copo. O restante, pra ser bem sincero, joguei fora, sem a mínima dó. O gosto do café deixava MUITO a desejar. O leite que pedi por duas ou três vezes, durante a compra, foi sumariamente esquecido. Não reclamei pela ruindade da coisa toda, mas, em compensação, nunca mais voltei.
Um amigo americano explicou que lá a Starbucks é um imenso sucesso, já que os americanos adoram, de paixão, tomar café. Litros e litros por semana. Entendo, dessa forma, que esteja explicado o sucesso da rede Starbucks em território americano. Agora, trazer ao Brasil uma iniciativa do gênero, é incompreensível.
Alguns dirão que há mercado no Brasil. Discordo, já que o brasileiro toma pouquíssimo café (tirando, claro, os analistas de sistemas). Outros dirão que é um café conceito, em que o ambiente, as mesas, cadeiras e o atendimento simpático compensam a ruindade do objetivo principal da loja que é, ou seria, creio eu, o CAFÉ. Ora, se vou a um "Café", espero que ao menos o café seja bom, entre todos os produtos/serviços oferecidos.
De um ano pra cá, em determinados momentos em que transito pelo Shopping Center 3, vejo o fenômeno Starbucks às moscas. Se pudesse, apostaria que a rede não dura mais que 2 anos em território nacional. Não conheço as demais unidades de São Paulo, mas, se depender do desempenho dessa loja específica, é melhor que busquem outro mercado, mundo afora, para aportar.
O texto abaixo, A casa do Oscar, fora escrito por Chico Buarque no ano de 1998, em homenagem aos 90 anos de Oscar Niemeyer. Pois agora, em 2008, 10 anos depois, vale muito a pena reler e ouvir o próprio Chico recitando seu texto (retirado do documentário de apoio do DVD Chico Buarque e as cidades, de 1999).
A casa do Oscar
A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.
Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.
Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.
É isso, queridos amigos, estou disponibilizando hoje, para download, a segunda versão do esperado Bufunfa Podcast. Acredito que a gravação esteja bem melhor que a anterior, já que nesse meio tempo aprendi a mexer no software que estou usando. Os temas dessa segunda edição são: Perfil de Investidor, Análise Gráfica e Análise Fundamentalista.
Abaixo, o velho e bom teaser. Clicando nele, você faz download do Bufunfa Podcast nº 2. Espero que você, uma vez mais, querido leitor, goste e aproveite ao máximo todas as informações!
Em caso de dúvidas, sugestões, críticas e afins, é só mandar um e-mail camarada para ricardo@poloweb.com.br.
Workshop – Walmir Gil, trompetista, fundador da Banda Mantiqueira
Nesse sábado, dia 28/06, foi dia de workshop, no Sesc Vila Mariana, com Walmir Gil, fundador da Banda Mantiqueira e trompetista de grandes ícones como Djavan e Roberto Carlos. Com ingressos que variavam de R$ 5 a R$ 20, a aula teve aproximadamente 20 alunos (poucos, mas muito bem selecionados), de diversas idades, interesses e níveis musicais.
Segue, abaixo, um pequeno resumo das idéias e dicas de Walmir Gil sobre o trompete, dicas de improvisação e afins:
Improviso = Espontaneidade. É preciso ser espontâneo, o tempo todo, para se conseguir alcançar um nível ótimo de improviso no trompete.
Walmir faz uso de um singelo exemplo sobre crianças para falar sobre como somos improvisadores desde pequenos e, com o passar do tempo, vamos nos adequando, nos limitando e perdendo a capacidade de improvisar. Segundo Walmir, "crescemos e deixamos de improvisar". Enaltece aqueles que não têm vergonha de buscar, a todo custo, as belezas proporcionadas pelo improviso.
A resistência para se tocar por muito tempo (algo dificílimo de ser feito com trompete, Flugel e trombone) advém de uma rotina diária de exercícios.
O aquecimento não deve ultrapassar o período de 10/15 minutos. Segundo Walmir, "se você utilizar muito mais tempo para arquecer, resta pouco tempo para o estudo propriamente dito".
Crie seu próprio método de estudo, baseado em seus objetivos dentro do instrumento. Se sua vontade é atacar os agudos, crie uma rotina com esse intuito. Caso seja tocar notas graves, crie sua rotina para alcançar, com perfeição, toda a escala de graves.
Sabe aqueles dias em que você não consegue tirar som algum do seu trompete? Desista e volte a tocar apenas no dia seguinte. Trompete exige inspiração, transpiração e preparação corporal.
A melhor coisa a fazer após tocar muito o trompete, e sentir toda a musculatura ao redor da boca fatigada, é um bom banho quente, deixando esquentar bem a região da boca e bochechas. Depois disso, segundo Gil, "é tomar uma aspirina e, em seguida, cama".
A resistência ao tocar trompete depende, em muitos casos, do chamado "Balanço", que é o conjunto de fatores que conduzem o corpo emitir os sons e tocar o instrumento: embocadura, língua, dentição, palato, emissão e controle de ar.
"Se inspire, mas não queira tocar igual!" Gil explica que a melhor coisa quando se tem algum músico no qual você goste de se inspirar é tirar proveito de algumas coisas, mas não necessariamente querer reproduzir o que seu ídolo toca. Segundo Gil, "cada um possui uma identidade musical e esta deve ser preservada".
"O que interessa é o músico e não o instrumento".
"O som vem de dentro pra fora e não de fora pra dentro".
Ao contrário do que apregoam as velhas escolas de trompete, é necessária muita flexibilidade na adaptação do corpo ao instrumento, já que cada um possui um formato de lábios, palato, dente, queixo e afins. Nada de radicalismos. Se não der para tocar com o queixo "apertado", toque com o queixo móvel, solto. O que importa é a emissão do som, independente do que dizem as regras.
Um bom exemplo do que está escrito acima é sua citação: "O som é tudo e a técnica deve ficar em segundo plano". Cita ainda o exemplo de Dizzy Gillespie, que adaptou o instrumento à sua condição de "bochecha solta".
Walmir radicaliza: "Quer tocar com bochecha, igual ao Dizzy? Vá tentando e toque. Toque da forma como você se sentir mais à vontade".
Recomenda a série Aebersold, com suas bases e melodias. "Dessa forma, facilita o trabalho para improvisação sobre a música".
Quer ser bom no trompete? Então, toque as tônicas, as terças, as quintas e as sétimas (tensões).
Ainda falando sobre a música vir de dentro pra fora, diz ser necessário "cantar" a música internamente, para facilitar a conversa do corpo com o trompete, ajudando na emissão correta de ar.
"A música está dentro de você e precisa ser exteriorizada".
Sobre solos, Gil explica: "É ótimo tentar tirar os solos de uma canção apenas ouvindo a música. Isso ajuda a criar um ouvido musical e colabora para formar uma verve improvisadora".
"Não consegue tirar determinada canção? Cante a canção, cantarole no tom e tente reproduzir, em seguida, no trompete".
The man in the dark é um dos livros mais aguardados dos últimos tempos, pelo menos pra mim. Após ter assistido a uma palestra de Paul Auster (numa mesa que contava com a presença de ninguém menos que Chico Buarque) durante a segunda edição da FLIP (Festa Literária de Parati), li, de um fôlego só, os ótimos Oracle Night e The Book of Illusions. Passados 4 anos da FLIP, li The Brooklyn Follies e Travels in the Scriptorium. Os 4 livros citados são surpreendentemente bons.
Quem conhece a literatura de Paul Auster, sabe muito bem o que estou dizendo. É o tipo de leitura que prende a atenção de tal forma que você é capaz de passar dez, doze horas lendo, sem parar.
Em tempos que a literatura mundial se volta, de maneira autista, para o Afeganistão, Cazaquistão, Uzbequistão e Sudão (depois da péssima onda anterior com os livros de Dan Brown, comentados e lidos à exaustão, pelo planeta inteiro), é um alento saber desse lançamento austeriano.
Segundo previsões, o lançamento, na Europa e Estados Unidos, ocorrerá em agosto ou setembro próximo.