Caderno de anotações, elucubrações, memórias e rabiscos (Parte IX)
E eis que começa a tocar a abertura do filme Superman, aquele em que o herói, faceiro e meninão, usa uma cueca vermelha belíssima por sobre a calça azul. Claro, eu sei, ele é um super herói. Agora, vocês questionam o motivo de começar esse post com essa informação. Não sei. Mesmo. Minha cabeça está ocupada com outras informações, relevantes ou não. Acabei de sair do show do Funk Como Le Gusta. Mais uma vez, e mais um grande show. A rapaziada está a cada dia melhor. Mais afinados. Afiados. Ainda não entendo, e talvez não vá entender nunca, qual o motivo de não ficarem conhecidos e despontarem, de uma vez por todas, para a fama eterna. Quando, meus caros, eles ocuparão o panteão de grandes grupos reconhecidos na música brasileira? Será que não seria a hora e a vez deles? Avaliem vocês mesmos no vídeo abaixo. Durante esse mesmo show, Mestre Bartolo, baixista, pediu para avisar que o esperado CD/DVD de 10 anos do grupo deverá sair em breve. Muito em breve. Enquanto isso, curtam o som, Agente 69:
E ontem foi dia de conferir a estreia de É proibido fumar, novo filme de Ana Muylaert, a aclamada diretora do clássico Durval Discos. Bom, sem muita enrolação, posso dizer que o filme é extraordinariamente simples, com uma estrutura narrativa direta, com ótimos recursos de montagem, direção e fotografia. É mais uma película em que Paulo Miklos mostra sua façanha como ator e Glória Pires se mantém morna. É proibido fumar conquistou quase todos os prêmios do último Festival de Cinema de Brasília. É diversão, é entretenimento, e foge um pouco das preocupações sociais que vêm cansando um pouco no cinema brasileiro. O filme de Ana poderia facilmente ser comparado às ótimas películas argentinas, cujas temáticas são, também, bastante simples e diretas. E, caríssimos, cinema é isso mesmo: uma boa história para contar. E essa, vos garanto, é bem contada. Assistam.
Mais para o meio da semana, em meio à chuva e ao dilúvio que se abateram sobre a cidade de São Paulo, tive que tomar uma duríssima decisão. Assistir um documentário que trata da vida de Eliezer Batista, fundador da Companhia Vale do Rio Doce e um dos pilares do desenvolvimento brasileiro na década de 50 e 60, ou o comentadíssimo filme romeno, Polícia, Adjetivo. Acabei fazendo a escolha mais errada do mundo. Pois sim, fui assistir ao filme romeno. Se eu pudesse expressar em palavras o que senti no filme, poderia dizer que tive desconforto físico. Não, amigos, não há nenhuma cena repugnante, não há sexo com bichos, legumes ou assemelhados. Nada disso. O que há, isto sim, é um cinema parado, sem ritmo, sem sal, sem gosto. Sem absolutamente nada. A língua romena é uma das mais aborrecidas desse globo terrestre. O que há para comentar é que dormi em mais ou menos uma hora e meia do filme, que tinha por volta de duas longas horas. Acordava, vez ou outra, engasgado com meu próprio ronco, com a boca aberta mirada ao teto da sala 4 do Espaço Unibanco de Cinema. Sei que não é certo dormir em cinema. Mas, na minha história de amor ao cinema, deve ter sido a 3ª vez que isso aconteceu. Se montasse uma lista com os maiores micos do ano, Polícia, Adjetivo estaria, sem dúvida alguma, no topo.
Já Tokyo, apanhado com 3 episódios narrando histórias sobre a capital japonesa, é um filme gostoso de assistir. Interior Design, de Michel Gondry, é como todos seus outros filmes. Começa com uma normalidade impressionante e, em certo momento, desencadeado por algum acontecimento simbólico, descamba para uma ficção impressionante, pra lá de deliciosa. Gondry, apesar de fazer todos os filmes com um mesmo enfoque, mostra-se um dos diretores mais profícuos do cinema atual. Leos Carax, cineasta francês, há mais de dez anos sem filmar, nos apresenta um filmete confuso, chamado Merde, que narra a história de um ser qualquer que vive nos subterrâneos da capital japonesa e, vez ou outra, aterroriza os cidadãos com suas bombas. Acho que quem melhor resumiu esse filme foi um espectador que estava ao meu lado na sala de cinema: "Que merda!". Já Shaking Tokyo, de Joon-ho Bong, trata da vida de um hikikomori (um tipo de cidadão que rompe os laços com todo o restante da sociedade e vive sozinho). Por 10 anos, o tal hikikomori vive isolado do mundo, e sem qualquer contato com o mundo exterior. Mas, eis que um dia tudo muda de figura. Quando pega uma das entregas de pizza, os olhares do hikikomori e da entregadora se cruzam e, instantaneamente, ele se apaixona, em meio a um terremoto que chacoalha a cidade. A partir daqui, inicia-se uma peregrinação pela sobrevivência e pelo amor. É simplesmente do caralho esse episódio. Assistam, assistam e assistam. Não sei bem por que, mas esse episódio me lembrou muito um conto de Fausto Wolff, do seu livro A milésima segunda noite.
Para encerrar essas elucubrações de hoje, posso recomendar aos amigos que assistam Julie e Julia. E, se alguém puder, responda a pergunta de um milhão de dólares: Como Meryl Streep consegue ter, reiteradas vezes, atuações tão impressionantes? Como essa mulher consegue se transformar em qualquer personagem? Vejam, abaixo. Ponto alto entre 0:18 e 0:25. Que mulher é essa?