29.7.08
Jornalismo - Cartão de Crédito, ou "Tá rindo do quê?"
Adoro adotar um tom crítico para tudo que falo, escrevo ou gesticulo. É da minha natureza e não consigo fazer absolutamente nada para melhorar (corrigir, piorar, ou seja lá o que for). Em alguns casos, posso até admitir que muito do que falo é desnecessário. Minha forma de passar a mensagem é essa. Fazer o quê?
No caso, tenho pensado seriamente sobre o setor de cartões de crédito, e em como as coisas funcionam. Chega na minha casa, dia sim, dia não, correspondências da American Express. Até entendo, pois devo estar com meu nome em uma base de dados bastante camarada (que hoje, qualquer um compra na esquina, nas mãos de um camelô amigo), mas, provavelmente meus dados estão completamente desatualizados. Explico: recebo propostas de um cartão visivelmente ridículo, se não me engano, "American Express Gold", sem o mínimo foco neste que vos escreve. Deixei de pertencer à categoria do cartão oferecido há uns bons 8 anos (nos meus tempos de estagiário) e, mesmo assim, recebo as propostas "indecentes" no conforto do meu lar.
É preciso uma visão de negócios pouquíssimo apurada (até um macaco treinado conseguiria compreender a equação) para entender que, dessa forma, dificilmente será fechado um acordo entre as partes. Primeiro ponto, pois não utilizo cartões de crédito. Segundo, pois recebo propostas que não me entregam vantagem alguma. Deve funcionar, penso eu, caso contrário não torrariam Amazônias inteiras para enviar cartas sem o mínimo sentido.
Já para minha querida mãe, cujo salário de aposentada não paga nem o plano de saúde, chegam propostas de um cartão "American Express Platinum", que entregam todos os benefícios e vantagens. Mais um caso em que a base de dados está completamente equivocada. Talvez o "camelô amigo" tenha vendido à Amex um pacote de dados de 1980. Ou algo assim.
Mesmo desgostando dos referidos cartões de crédito, tenho um, de estimação, simplesmente porque é do Banco em que trabalho e porque, caso algum dia meu cartão de débito bata asas e voe, tenho um backup. Se me perguntarem qual a vantagem do meu cartão de crédito, não saberei dizer. Não mesmo. Acho o cartão, na melhor das hipóteses, uma merda.
Dia desses, entrei no programa de milhagem para saber se poderia adquirir algum produto minimamente decente, em troca dos meus suados pontos. 1.000 pontos, para ser bem preciso. Fui procurar produtos apenas para fazer "troça", a bem da verdade.
Não fiquei nada surpreso ao ver que o produto mais chinfrim oferecido era o cd da Maria Rita. Alguns dirão: "Ora, é um bom produto!". Claro, eu concordo, em gênero, número e grau, pois gosto de Maria Rita, mas o inimaginável foi ver que o cd oferecido é o primeiro de sua carreira, que data 2002. Nonsense, é verdade.
Quanto preciso para adquirir esse cd?
Exatos 3.200 pontos. Pelos meus cálculos, preciso gastar, por baixo, uns R$ 5.100,00.
No referido programa de milhagem, fico extasiado ao ver o CD do Titãs, ao vivo MTV, marcado como lançamento! Há quantos anos ninguém se preocupa com os produtos oferecidos naquele site? Vergonha alheia, é o mínimo que posso sentir. Outro lançamento, o DVD "Guerra dos Mundos". Mais abaixo, vejo um novíssimo cartão de memória SD, com inacreditáveis 512 mb! Não pára por aqui, seguem abaixo mais alguns lançamentos alardeados no site:
- DVD SMALLVILLE 1ª TEMPORADA (6 DVDS) - WARNER
- BOX CHICO BUARQUE (3 DVDS)
- MP3 Player - 256 MB e Rádio FM - MW111 - Azul - DL Eletrônicos
- DVD Live 8 (4 DVDs)
- CD Player Portátil - CDP 6150BL c/ Rádio FM - Semp Toshiba
- iPod Nano 1GB White - Apple
Eu sei, não tem graça alguma. Vou tirar o nariz de palhaço e daqui a pouco eu volto com mais.
postado por Ricardo Lima às
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