2.7.08
Gestão de Negócios - Starbucks, a doce ilusão do café amargo

Na manhã do dia dois de julho recebi, em meu correio, por meio do noticiário do Blue Bus, uma notícia que eu já previa há algum tempo: "Starbucks anuncia que vai fechar mais 500 lojas e demitir 12.000 funcionários".
Não, amigos, não sou a favor do terror e de demissões em massa dentro das empresas, mas, desde que se iniciou o processo de enaltecimento explícito às práticas da Starbucks, comecei a desconfiar. Na onda do momento, e como não havia nenhuma filial do famoso Café Starbucks em Terra Brasilis, comprei o livro "Estratégia Starbucks". A bem da verdade, não me surpreendi com absolutamente nada que li nas páginas insossas do livro.
Passados alguns meses (poucos, creio eu), surgiram no Brasil algumas filiais. A primeira delas, por coincidência, se localiza (por enquanto!) no Shopping Center 3, na Avenida Paulista, ao lado do local em que trabalho. Passado aquele burburinho inicial do lançamento, em que todos levam a família, namorada, periquito, papagaio e cachorro, decidi fazer a minha visita à referida filial, para saber se era, como todos diziam, uma das 7 maravilhas do mundo moderno.
Sendo frequentador contumaz de cafés paulistanos como Santo Grão e Suplicy, tinha uma base teórica e prática sobre as delícias gustativas que podem ser proporcionadas por grãos bem selecionados.
Qual não foi minha surpresa, cheguei à filial e tive que enfrentar uma fila, ao melhor estilo McDonald's (local que frequentei raríssimas vezes em minha vida). Pensei que aquilo fosse algum tipo de piada de mau gosto, mas não me preocupei, obstinado que estava em provar o tal café. Depois que a fila andou muito rápido (o que chegou a me surpreender, confesso), veio aquele que seria um dos meus pontos de maior crítica à rede: um "bom dia" artificial e canalha, que trazia consigo um sorriso amarelado e falso, ao melhor estilo Blockbuster e McDonald's.
Sabe aquele tipo de "bom dia" que você nem se esforça pra responder, visto que parece algo forçado e obrigatório a todos os funcionários da empresa?
Respondi o "bom dia" com um sorriso de canto de lábio, ao melhor estilo Bogartiano e perguntei o que tinha de bom para me oferecer. De cara, ela passou a explicar, tal qual uma funcionária aplicada de telemarketing, todos os cafés do Starbucks. Pra ela, vírgulas e concordâncias eram desnecessárias. Pelo menos não tive que ouvir "vamos estar fazendo o seu café".
Pedi um café qualquer, COM LEITE. Fiquei, conforme pedido pela referida funcionária, após ter pago o café, "ali do ladinho, esperando". Passados alguns segundos, meu café estava em mãos. Um copo de, como direi?, 500 ml. Agora, imaginem um ser humano normal tentando tomar 500 ml de café, de uma vez só?
Devo ter tomado, no máximo, 50 ml do imenso copo. O restante, pra ser bem sincero, joguei fora, sem a mínima dó. O gosto do café deixava MUITO a desejar. O leite que pedi por duas ou três vezes, durante a compra, foi sumariamente esquecido. Não reclamei pela ruindade da coisa toda, mas, em compensação, nunca mais voltei.
Um amigo americano explicou que lá a Starbucks é um imenso sucesso, já que os americanos adoram, de paixão, tomar café. Litros e litros por semana. Entendo, dessa forma, que esteja explicado o sucesso da rede Starbucks em território americano. Agora, trazer ao Brasil uma iniciativa do gênero, é incompreensível.
Alguns dirão que há mercado no Brasil. Discordo, já que o brasileiro toma pouquíssimo café (tirando, claro, os analistas de sistemas). Outros dirão que é um café conceito, em que o ambiente, as mesas, cadeiras e o atendimento simpático compensam a ruindade do objetivo principal da loja que é, ou seria, creio eu, o CAFÉ. Ora, se vou a um "Café", espero que ao menos o café seja bom, entre todos os produtos/serviços oferecidos.
De um ano pra cá, em determinados momentos em que transito pelo Shopping Center 3, vejo o fenômeno Starbucks às moscas. Se pudesse, apostaria que a rede não dura mais que 2 anos em território nacional. Não conheço as demais unidades de São Paulo, mas, se depender do desempenho dessa loja específica, é melhor que busquem outro mercado, mundo afora, para aportar.
postado por Ricardo Lima às
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