30.6.08

Workshop – Walmir Gil, trompetista, fundador da Banda Mantiqueira



Nesse sábado, dia 28/06, foi dia de workshop, no Sesc Vila Mariana, com Walmir Gil, fundador da Banda Mantiqueira e trompetista de grandes ícones como Djavan e Roberto Carlos. Com ingressos que variavam de R$ 5 a R$ 20, a aula teve aproximadamente 20 alunos (poucos, mas muito bem selecionados), de diversas idades, interesses e níveis musicais.

Segue, abaixo, um pequeno resumo das idéias e dicas de Walmir Gil sobre o trompete, dicas de improvisação e afins:

  • Improviso = Espontaneidade. É preciso ser espontâneo, o tempo todo, para se conseguir alcançar um nível ótimo de improviso no trompete.
  • Walmir faz uso de um singelo exemplo sobre crianças para falar sobre como somos improvisadores desde pequenos e, com o passar do tempo, vamos nos adequando, nos limitando e perdendo a capacidade de improvisar. Segundo Walmir, "crescemos e deixamos de improvisar". Enaltece aqueles que não têm vergonha de buscar, a todo custo, as belezas proporcionadas pelo improviso.
  • A resistência para se tocar por muito tempo (algo dificílimo de ser feito com trompete, Flugel e trombone) advém de uma rotina diária de exercícios.
  • O aquecimento não deve ultrapassar o período de 10/15 minutos. Segundo Walmir, "se você utilizar muito mais tempo para arquecer, resta pouco tempo para o estudo propriamente dito".
  • Crie seu próprio método de estudo, baseado em seus objetivos dentro do instrumento. Se sua vontade é atacar os agudos, crie uma rotina com esse intuito. Caso seja tocar notas graves, crie sua rotina para alcançar, com perfeição, toda a escala de graves.
  • Sabe aqueles dias em que você não consegue tirar som algum do seu trompete? Desista e volte a tocar apenas no dia seguinte. Trompete exige inspiração, transpiração e preparação corporal.
  • A melhor coisa a fazer após tocar muito o trompete, e sentir toda a musculatura ao redor da boca fatigada, é um bom banho quente, deixando esquentar bem a região da boca e bochechas. Depois disso, segundo Gil, "é tomar uma aspirina e, em seguida, cama".
  • A resistência ao tocar trompete depende, em muitos casos, do chamado "Balanço", que é o conjunto de fatores que conduzem o corpo emitir os sons e tocar o instrumento: embocadura, língua, dentição, palato, emissão e controle de ar.
  • "Se inspire, mas não queira tocar igual!" Gil explica que a melhor coisa quando se tem algum músico no qual você goste de se inspirar é tirar proveito de algumas coisas, mas não necessariamente querer reproduzir o que seu ídolo toca. Segundo Gil, "cada um possui uma identidade musical e esta deve ser preservada".
  • "O que interessa é o músico e não o instrumento".
  • "O som vem de dentro pra fora e não de fora pra dentro".
  • Ao contrário do que apregoam as velhas escolas de trompete, é necessária muita flexibilidade na adaptação do corpo ao instrumento, já que cada um possui um formato de lábios, palato, dente, queixo e afins. Nada de radicalismos. Se não der para tocar com o queixo "apertado", toque com o queixo móvel, solto. O que importa é a emissão do som, independente do que dizem as regras.
  • Um bom exemplo do que está escrito acima é sua citação: "O som é tudo e a técnica deve ficar em segundo plano". Cita ainda o exemplo de Dizzy Gillespie, que adaptou o instrumento à sua condição de "bochecha solta".
  • Walmir radicaliza: "Quer tocar com bochecha, igual ao Dizzy? Vá tentando e toque. Toque da forma como você se sentir mais à vontade".
  • Recomenda a série Aebersold, com suas bases e melodias. "Dessa forma, facilita o trabalho para improvisação sobre a música".
  • Quer ser bom no trompete? Então, toque as tônicas, as terças, as quintas e as sétimas (tensões).
  • Ainda falando sobre a música vir de dentro pra fora, diz ser necessário "cantar" a música internamente, para facilitar a conversa do corpo com o trompete, ajudando na emissão correta de ar.
  • "A música está dentro de você e precisa ser exteriorizada".
  • Sobre solos, Gil explica: "É ótimo tentar tirar os solos de uma canção apenas ouvindo a música. Isso ajuda a criar um ouvido musical e colabora para formar uma verve improvisadora".
  • "Não consegue tirar determinada canção? Cante a canção, cantarole no tom e tente reproduzir, em seguida, no trompete".


postado por Ricardo Lima às